Museu da Ci�ncia - Universidade de Coimbra

MARIA SKLODOWSKA-CURIE: MADAME CURIE

A Exposição “Maria Skłodowska Curie: Madame Curie” insere-se nas comemorações do Ano Internacional da Química e do centenário da atribuição do Prémio Nobel da Química a Madame Curie. Esta exposição foi organizada em colaboração com o Departamento de Química da Universidade do Minho e o Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, partindo de um conjunto de painéis produzidos pelo Museu de Maria Skłodowska Curie em Varsóvia e pelos Arquivos da Academia das Ciências da Polónia.

Apresenta-se a vida e obra de Madame Curie, destacando-se a notável investigação que desenvolveu sobre a radioactividade e que lhe mereceu dois Prémios Nobel. A exposição inclui também uma secção dedicada a três dos seus discípulos portugueses, que realizaram um estágio no Instituto do Rádio em Paris: Mário Augusto da Silva, Branca Edmée Marques e Manuel Valadares.

A exposição integra instrumentos científicos representativos do equipamento laboratorial utilizado por Madame Curie e pelos seus discípulos em medições de radioactividade e módulos interactivos dedicados à radioactividade natural.

MÁRIO AUGUSTO DA SILVA

(Coimbra, 7 Janeiro 1901 – Coimbra, 13 Julho 1977)

Professor da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Ciências Fisico-Químicas. Entre 1925 e 1929, realizou o doutoramento no Instituto do Rádio em Paris sob a supervisão de Madame Curie, por quem desenvolveu uma grande admiração.  Paralelamente, Madame Curie convidou-o para trabalhar no seu laboratório pessoal, onde colaborou na preparação das demonstrações experimentais das suas aulas teóricas.  Em 1929, Mário Silva defendeu a sua tese de doutoramento, intitulada “Recherches expérimentales sur l´électroaffinité des gaz”, s e regressou à Universidade de Coimbra

Escreveu vários artigos de investigação sobre electroafinidade e ionização de gases e trabalhos científicos de grande valor, como “Teoria do Campo Electromagnético” e “Mecânica Física”. Em 1947, foi aposentado compulsivamente por decreto do Governo de Salazar. Só em 1976 seria reintegrado como professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Deve-se a Mário Silva a criação do Museu de Física e a recuperação dos instrumentos do Gabinete de Física Experimental pombalino. Foi também director do Laboratório de Física, bem como fundador e director do Museu Nacional da Ciência e da Técnica, que foi inaugurado oficialmente em 1976 e deixou de existir em 2006.

BRANCA EDMÉE MARQUES DE SOUSA TORRES

(Lisboa, 14 Abril 1899 – Lisboa, 19 Julho 1986)

Branca Edmée licenciou-se em Ciências Fisico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde iniciou a actividade docente em 1925. Na época, foi a única mulher entre professores e funcionários ligados ao ensino e investigação da Química na Universidade. Esta situação dificultou a sua nomeação como Professora Catedrática de Química, que aconteceu apenas em 1966.

Com uma bolsa atribuída pela Junta de Educação Nacional, trabalhou de 1931 a 1935 no Laboratório Curie do Instituto do Rádio em Paris sobre temas de radioactividade. Nos primeiros três anos trabalhou sob orientação da própria Marie Curie e, no último ano, sob supervisão de André Debierne. Em 1935 defendeu a sua tese de doutoramento, “Nouvelles recherches sur le fractionnement des sels de baryum radifère”.

Apesar de convidada para prosseguir a carreira de investigação no Instituto do Rádio, Branca Edmée regressou a Lisboa e retomou a sua actividade na Faculdade de Ciências, onde desenvolveu investigação no domínio da radioactividade. Em 1936, criou o Laboratório de Radioquímica, que originou o Centro de Estudos de Radioquímica da Comissão de Estudos de Energia Nuclear, do qual foi directora até à sua jubilação. Neste Centro formaram-se vários cientistas e técnicos nas áreas da Química Nuclear.

MANUEL JOSÉ NOGUEIRA VALADARES

Lisboa, 26 Fevereiro 1904 – Paris, 31 Outubro 1982)

Professor da Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Fisico-Químicas. De 1930 a 1933 trabalhou no Instituto do Rádio em Paris onde se dedicou à preparação da tese de doutoramento intitulada, “Contribuition à la spectrographie, par diffraction cristalline, du rayonnement gamma”, supervisionada por Marie Curie. Como todos os alunos portugueses de Marie Curie nutria por ela grande estima e admiração.

No seu regresso ao Laboratório de Física da Universidade de Lisboa, procurou implementar a investigação experimental no domínio da espectrografia da radiação X e da física nuclear. Efectuou um trabalho intitulado, “Análise, por espectrografia de Raios X de transmutações naturais ou provocadas” que lhe mereceu o Prémio Artur Malheiros (Ciências Físico-Químicas) da Academia das Ciências de Lisboa, 1939.

Em 1940 deslocou-se a Itália para efectuar trabalhos no Instituto Volta, em Pavia, e aprofundar pesquisas no Laboratório de Física do Instituto de Saúde Pública, em Roma.

Em 1947 foi demitido da Universidade por Salazar, por motivos políticos. Valadares procurou então o exílio em Paris. De 1959 a 1962, foi director do Laboratório do Íman Permanente, mais tarde Centro de Espectrometria Nuclear e de Espectrometria de Massa, cargo que abandonou em 1968.